segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Será o fim




Não aguentei.
Levantei-me, e dirigi-me à casa de banho. Entrei e olhei… Para aquela rapariga que aparecia no espelho, com os olhos em tons de vermelhos por causa das lágrimas. Estas caíam-lhe pela face, a rapariga tentava seca-las com as mãos, mas as lágrimas pareciam ser infinitas. Os meus pensamentos estavam distantes, revoltados, a raiva e a mágoa era mais forte do que tudo naquele momento. Nada existia à minha volta, do que um fumo que não em deixava ver mais além. Pensava apenas naquelas palavras, as palavras que tanto me magoaram. Elas soavam na minha mente, como um fantasma. Não me deixavam, eu queria que elas saíssem na minha mente, queria apaga-las para não me lembrar mais. Não queria recordar. Sofria sozinha. Sofria em silencia. Por momento, pensei que tinha acalmado, as lágrimas tinham cessado. Foi então que as palavras voltaram a invadir o pensamento, preenchendo a minha mente. Não aguentei e as lágrimas voltaram a cair. Não sabia o que fazer. Devia agarrar nas palavras e usa-las para seguir em frente, ou ignora-las e mesmo assim lutar?
O silêncio à minha volta, dada pela noite, davam-me mil e uma respostas diferentes. Todas elas a lutar entre si na minha consciência. Estava com o cheiro dele, o tacto… Relembrando todos os momentos. Seria possivelmente a ultima vez que aquele cheiro, que aquele toque tão suave invadia o meu corpo, deixando-me sonhar com tudo aquilo que ele me fazia lembrar.
Não sou capaz de acreditar que isto estava acontecer. Depois de tudo…Estava a tremer, mas não era de frio… Estava a ficar sem forças. Desisti e regressei para o quarto, agarrei naquilo que me transmitiu as palavras… e ainda mais palavras? Palavras frias, que não mostravam o mínimo de sentimento que ele jurava sentir por mim. Eu não queria acreditar… Queria atirar aquelas palavras contra a parede e observar como elas se despedaçavam à minha frente.
Sentimentos, todos temos. Desistir? Essa era a palavra que julgava não desistir no nosso dicionário, não depois de agora, de tudo o que já vivemos, lutámos e conseguimos juntos. Vai ser difícil se isso acontecer. Sabes porquê? Porque é fácil um “eu” e um “tu” se tornar num “nós”, mas é difícil que esse “nós”, tornar-se naquilo que antes era.
Por agora? Tenciono apenas desaparecer e perder-me nos pensamentos enquanto durmo, mergulhar nos meus sonhos e memórias. Amanhã talvez seja um dia melhor. Assim o espero… 

Reacções:

0 Rabiscos:

Enviar um comentário