“A
Filha dos Mundos" fala de Ailura, uma menina de 11 anos que vive no seu
mundo de fantasia contado pelo seu pai, no qual existem todas as criaturas de
um conto, as fadas, os elfos, os duendes, gnomos e muito mais. Ailura era uma
criança feliz! Mas do nada o seu pai desaparece. A mãe de Ailura tenta criá-la
o melhor que sabe, mas acaba por tirar toda a fantasia e imaginação da sua vida.
Alguns anos mais tarde, Ailura é uma mulher bem-sucedida que tem tudo o que
quer da vida mas sente um enorme vazio. Então vê-se deparada com a hipótese de
o seu pai ter sido o Rei das Terras da Luz. É lá que reside o Povo da Luz, que
vê em Ailura uma maneira de acabar com o mal que os vem a assombrar faz
milhares de anos. Esse mal chama-se Morgriff e é ele o feiticeiro que matou o
seu pai que tentava proteger as Terras da Luz em mais um dos seus ataques, que
apenas quer para seu poder o Ceptro de Aerzis para assim ser implacável, que se
encontra nas mãos de Ailura.
Penso
e defendo que o livro "A filha dos mundos" deveria de ter estado na
gaveta até hoje. Poderia com algumas alterações ser um livro bonito, com
profundidade psicológica, mas que devido à sua rápida publicação será sempre
lembrado como um livro "que poderia ter sido algo de bom". A acção
decorre demasiado depressa, existe uma certa infantilidade em algumas
descrições, nomeadamente na repetição do adjectivo "bonito" ou "belo":
a Ailura é bela, o elfo é belo, mas dentro disso onde está a substância? A
Ailura aparece como uma mulher de 28 anos, directora de um jornal, com
responsabilidade, mas que por algum motivo não gosta do namorado e a presença
deste torna-se algo desagradável. Tudo isso muda quando Ailura é atropelada por
um camião e encontra um mundo paralelo ao nosso. Esta espécie de twist recorda
um pouco o romance de Neil Gaiman "Neverwhere", onde a personagem
principal também entra numa espécie de realidade alternativa, fruto da sua
ânsia de se escapar do mundo real. E este twist apesar de já existir é o único
factor bom que o livro apresenta. O facto de todos nós gostarmos de um dia
viver num mundo alternativo é uma premissa razoável para um romance fantasioso,
apenas a maneira como usamos essa premissa deve ser tomada em consideração. As
personagens falham, como referi e a acção peca pela rapidez, na qual é
apresentada. Tudo é muito romântico, tudo decorre demasiado depressa.
Ou
seja, se a Inês Botelho tivesse esperado mais uns tempinhos, poderia de facto
ter apresentado algo mais substancial, talvez introduzir algo mais sobre o povo
élfico, os anões. Como seria o seu dia-a-dia, explicar com maior detalhe como é
que as pessoas se relacionavam, o próprio passado, a História daquele povo, etc.
Muito
sucintamente "A filha dos mundos" estará sempre ligado a um
condicional e é a prova viva que nem sempre devemos enviar algo que de futuro
até nos poderemos "envergonhar". Erros todos nós cometemos. Não
nascemos todos uns Saramagos, mas lá vamos evoluindo com o tempo, vamos
crescer, ter novas experiências, que vão reflectir-se no que escrevemos. É um
livro que pode apelar as pessoas que só querem ler uma história leve, mas que
não satisfará o leitor mais experiente.



















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Boa noite sabes onde posso comprar o último livro desta trilogia?
ResponderEliminarNa Fnac e na Bertrand está indisponivel :s.
Boa Noite, eu tenho os três volumes da trilogia, mas já os comprei à um mês na wook, num pack por 40€, mas infelizmente não está mais disponível. Os únicos volumes que se encontram disponíveis são o primeiro e o segundo em edições de bolso (eu tenho as edições antigas).
EliminarMas se quiseres comprar em segunda mão, tens no custo justo à venda. Espero ter ajudado :D
*comprei à um ano na wook
EliminarOlá!
ResponderEliminarConcordo contigo em vários aspectos da tua crítica, mas os próximos livros trazem desenvolvimentos acerca da vida de alguns seres sobrenaturais que referiste. Este foi o primeiro livro que a Inês Botelho escreveu, mas vê-se uma evolução na sua escrita ao longo da trilogia.
Apesar de não ser uma trilogia muito profunda, muito complexa, é uma trilogia que irei recordar sempre como trilogia bela, pura, cheia de luz e sonhos, que gostei muito de ler na altura em que li (já há uns bons anos) e que de vez em quando gosto de reler certas passagens ou de recordá-las pois é uma trilogia que recordo facilmente :)
Espero que gostes de ler os restantes livros.
Beijinho
Olá Neptuno :D Apesar de não ter aqui as resenhas dos outros dois livros (tenho que as fazer) eu já os li, até tenho em posse a trilogia completa e o que dizes é correcto. Notasse uma evolução no 2º livro e ainda mais no terceiro (que foi o meu favorito).
EliminarTal como dizes será uma trilogia que também guardarei no meu coração porque permitiu-me entrar num mundo mágico, dos elfos, dos anões, das fadas e de vários seres sobrenaturais. É algo leve mas que não ficamos indiferentes!
Beijos :)
Estou a ler esse livro neste momento (vou na pág. 27). Encontrei-o na biblioteca da minha escola, li um pouco, e como fala sobre elfos e magia (algo que normalmente me agrada) decidi trazer e vim agorinha mesmo à procura de resenhas. Ainda bem que li a tua resenha porque assim já não tenho tantas expectativas acerca da história e talvez não fique tão desiludida.
ResponderEliminarBeijos, Jessie*
www.fofocas-literarias.blogspot.pt