terça-feira, 4 de setembro de 2012

Resgate


Ando perdida no meio da cidade. Chove e eu molho-me... A minha roupa agarra-se à minha pele, as minhas sapatilhas deixam entrar água mas não me importo. Preciso de limpar a minha alma. Caminho lentamente pela estrada, ignorando os olhares que me são dirigidos.Um rapaz da minha idade aproxima-se e pergunta-me:
- Estás bem?
Como resposta, aceno apenas a cabeça num gesto positivo e continuo o meu percurso. Eu sei para onde vou... Em direção ao meu destino, à minha salvação... Ou destruição.
Por fim, chego ao locar. Toco à campainha. Demora cerca de 30 segundos abrir-me a porta. O meu olhar vai directo para os olhos deles, os olhos que me cativaram. As minhas forças acabam naquele momento e desabo à frente dele. Assustado, ele ajoelha-se à minha frente, com a chuva a fazer-nos companhia. O único som que se ouve é: ping... ping... ping... É então que lhe digo:
"Não me deixes ir... Não vou voltar a cruzar a linha nem contar outra mentirar. Peço-te que me salves... Por favor! Eu não aguento mais esta dor tão grande... Liberta-me! Faz com que a dor desapareça! Por favor... Imploro-te... Salva-me!"
A última palavra foi abafada por um soluço que me saiu do fundo da minha garganta. As lágrimas misturavam-se com a água da chuva e eu só pedia a Deus que ele me perdoasse. O meu olhar encarava a calçada da porta de entrada, não era capaz de lhe dirigir um olhar sequer, com receio de ver o meu pior pesadelo no seu olhar. Não sei quanto tempo tivemos assim, se foi segundos, minutos ou horas. Fiquei numa espécie de dormência. Só acordei quando senti os braços dele a envolver-me e apertarem-me bem junto ao peito dele. Ele resgatou-me...

"A mais divina das vitórias é o perdão."

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