
“Anastasia
Steele é uma estudante de literatura jovem e inexperiente. Christian Grey é o
temido e carismático presidente de uma poderosa corporação internacional. O
destino levará Anastasia a entrevistá-lo. No ambiente sofisticado e luxuoso de
um arranha-céus, ela descobre-se estranhamente atraída por aquele homem
enigmático, cuja beleza corta a respiração. Voltarão a encontrar-se dias mais
tarde, por acaso ou talvez não. O implacável homem de negócios revela-se
incapaz de resistir ao discreto charme da estudante. Ele quer desesperadamente
possuí-la. Mas apenas se ela aceitar os bizarros termos que ele propõe...
Anastasia hesita. Todo aquele poder a assusta - os aviões privados, os carros
topo de gama, os guarda-costas... Mas teme ainda mais as peculiares inclinações
de Grey, as suas exigências, a obsessão pelo controlo… E uma voracidade sexual
que parece não conhecer quaisquer limites. Dividida entre os negros segredos
que ele esconde e o seu próprio e irreprimível desejo, Anastasia vacila. Estará
pronta para ceder? Para entrar finalmente no Quarto Vermelho da Dor? “
Simplesmente não
consegui entender como um livro assim bate recordes de venda. Ainda não percebi
bem qual é o motivo de tanto sucesso e euforia por tal livro. A única
explicação para isto é a mesma que se pode aplicar a tantos outros produtos - o
sexo vende. Mas sexo do pesado porque Nora Roberts e Sherrilyn Kenyon, Kresley
Cole também têm cenas de sexo nos livros delas e não foi um sucesso assim! É verdade
que é um livro denso para certo tipo de leitor, aqueles que são mais sensíveis
podem não gostar da maneira de como as cenas são escritas, porque é tudo
bastante claro como a água.
Um aspecto negativo
do livro é a fraca narração. Nota-se uma escrita simples, muitas vezes sem muitos
sentimentos e bastante pobre, percebe-se bastante bem que é uma escritora nova
na área. Para quem está habituado a escritores como Nora Roberts ou Nicholas
Sparks é uma tremenda desilusão, porque o livro tem todos os aspetos
necessários para se obter uma história boa e intensa.

Também é um livro
cheio de clichés, rapariga virgem conhece rapaz milionário e que é lindo de
morrer e de repente só vê o rapaz à frente. Achei ridículo o facto de Anna ter
que assinar um contrato de confidencialidade quando Christian conta o seu “segredo”.
Gostos são gostos e o que importa o que um casal faz dentro das quatro paredes?
Não é por isso que ela iria dizer a todos que o fantástico Grey gosta de
sadomasoquismo, é tão estúpido ao ponto de eu achar que ele tem vergonha de si
próprio. Outra coisa que me surpreendeu, foi a forma como a Anna perdeu
a virgindade, ela conhecia o Christian há tão pouco tempo e
simplesmente deixou-se ir, nota-se aqui como Ana é facilmente manipulada. Também
senti que a própria escritora não pesquisou o bastante para apresentar o tema
de BSDM (bondage, disciplina e sado-masoquismo),
tornando o livro ainda mais fraco nesta temática. Não gostei das cenas de sexo
porque a forma como a autora
escreveu tais acontecimentos com tanta indiferença, frieza e sensibilidade fez
com que me desse vontade de passar essas cenas à frente.
Um aspeto
que me irritou durante todo o livro foi a “Deusa Interior”. Mas que é isto?! É
tão estúpido que chega a ser cómico! Anastasia em si é uma personagem que me
irritou profundamente, bastante aborrecida e uma “pãozinho sem sal”.
A parte mais bonita
da história é quando Christian se apercebe que os seus sentimentos por
Anastasia não são algo tão simples nem superficial como ele estava à espera,
causando-lhe alguma confusão porque ele nunca se apaixonou verdadeiramente por
uma rapariga nos seus 27 anos de idade.
Apesar de todas as personagens
se desenvolverem rapidamente e de todos os clichés, esta história mostra-nos um
lado bastante interessante de um homem perturbado que refugia-se no sexo para
tentar ultrapassar o seu passado. Christian é um personagem bem profundo, com explicações para gostar do
que gosta e isso foi bem surpreendente. Diverti-me imensamente com os e-mails
que os dois trocavam, pois, neles, víamos um Grey brincalhão e protetor, dava
para ver o outro lado daquele homem misterioso que não deixava nada
transparecer.
Os segredos do seu
passado (as suas cinquenta sombras) é um dos mistérios que os leitores vão
querer descobrir e foi um dos grandes motivos pelo qual eu continuei a ler esta
trilogia, o porque do Christian querer o controle de tudo e o porque de
não deixar nenhuma mulher lhe tocar em certos lugares do seu corpo, isto é o
mais interessante do livro. Acho que o verdadeiro tema que a escritora queria
desenvolver não foi bem obtido, mas é esta personagem masculina que é bastante
interessante para captar a atenção dos leitores e quererem saber mais.
O segundo livro
desta trilogia intitula-se de “As Cinquenta sombras mais escuras”.
De seguida deixo-vos
um trecho que encontrei que acho que explica um pouco o que são as cinquenta
sombras:
“O amor é uma coisa estranha. É um
sentimento que não se mede, que não se vê, e que somente se sente, se agarra,
se abraça e com o qual se enlouquece, se esquece, se aceita e se abdica. O amor
é vitorioso, é etéreo. É profundo e, por vezes, extremamente físico. Mas o amor
é também ciúme, é controlo. É uma tensão maravilhosa que se espalha pelo corpo,
que desvaira a mente, que se camufla por trás de uma necessidade insana,
irracional, se possuir, de ter. O amor...
O amor são cinquenta tonalidades de uma
mesma emoção, de uma mesma alma. São cinquenta nuances de aquiescência,
cinquenta vontades de um mesmo mistério, de uma mesma forma de prazer. São
cinquenta sombras de... tudo. “