Crítica Literária - Na Cama com um Highlander

"A escritora é conhecida pelos seus livros eróticos, um já foi publicado em Portugal (Obsessão) e o segundo já vem aí (Submissa), mas este livro apresenta uma atmosférica mais romântica, uma escrita leve com cenas engraçadas, divertidas e por vezes até sensuais. "

Crítica Literária - Pecados Escondidos

"Julianne foi uma personagem que me cativou bastante pelo facto de não ser uma rapariga mimada e cabeça de vento (muito costume na época), mas sim uma jovem bastante humilde e que chega a pensar primeiros nos outros e depois nela própria. "

Crítica Literária - O Beijo Encantado

"Para a época em que o livro se passa, os diálogos têm um q.b de texto moderno, mas que torna o livro apetitoso e rápido. "

Crítica Literária - Inocência perdida

Nora Roberts volta a surpreender-me, voltando a enganar-me. Pensei que pela primeira vez tinha descoberto quem era o vilão da história mas nas últimas páginas houve uma reviravolta que me fez ficar de queixo caído, literalmente!

Crítica literária - Rosa Selvagem

"No início do livro, a autora acaba por desenvolver o tema de diferenças de classes mas acaba por ir diminuindo essas referências, o que acabou por haver um ambiente de "mundo cor-de-rosa" em vez de um mundo realista. "

Mostrar mensagens com a etiqueta José Saramago. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta José Saramago. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Crítica Literária - “As Intermitências da Morte” de José Saramago [Gonçalo Rodrigues]

E se a morte tirasse férias? É uma pergunta pertinente e o tema que é abordado em “As Intermitências da Morte”, de José Saramago.
Foi no primeiro dia do ano que a morte deixou de operar no país. O livro começa mesmo com a frase “No dia seguinte ninguém morreu”. No entanto, as iniciais reações de felicidade causada por tal facto, depressa se convertem em reações de desespero. Nunca antes na história a morte havia deixado de matar, pelo que diversos problemas começar a advir deste misterioso acontecimento.
Acidentes? Houve-os, e com feridos graves, mas mesmo aqueles que em situações normais teriam morrido no momento do acidente não morriam. Permaneciam num sofrimento eternizado. O país geral entrou em crise, sendo de salientar os problemas enfrentados pelas funerárias (que no desespero começaram a enterrar animais, pois ao que parece a morte que nos mata não é a que mata os animais), pelas seguradoras, pelos hospitais e lares…
Também as religiões foram afetadas, pois é da morte que vivem e é o que lhes permite criar fé num Deus. Como a morte havia somente deixado de operar naquele país, surgiu, não muito depois, uma organização criminosa, a Maphia, que levava as pessoas na iminência de morrer para um país vizinho para que estas falecessem como seria suposto.
No entanto, meses mais tarde, a morte (com “m” minúsculo, como gostava de assinar a sua correspondência) voltou. Dirigiu uma carta que enviou a um canal de televisão para que a notícia fosse difundida. E assim foi, no dia seguinte à difusão da notícia, a morte voltou à rotina! Contudo, não voltou à normal rotina. A partir daquele dia a morte viria a enviar uma carta escrita (em papel cor-de-rosa, note-se), com oito dias de antecedência àqueles que iriam morrer passada essa semana, anunciando, precisamente, a sua morte.
Andava a morte atarefada com esta sua nova responsabilidade, a morte anunciada, quando recebeu de volta uma carta extraviada. Alguém não estava a receber a sua morte anunciada, assunto que não foi de fácil resolução para a morte. Por mais que esta tentasse enviar a carta ela nunca era entregue ao destinatário. O assunto intrigou a morte, pelo que esta decidiu assumir uma forma humana e tentar uma aproximação.
A morte e o homem encontraram-se algumas vezes, mas em nenhuma a morte foi capaz de lhe entregar a carta. A morte acabou por apaixonar-se pelo homem. Trocaram beijos e foram para a cama. Após o homem adormecer a morte olhou a carta violeta. Não sabia o que fazer ou pensar, mas foi até à cozinha e, como um comum mortal, acendeu um fósforo que desfez a indestrutível carta. De seguida, a morte, que nunca dorme, deitou-se agarrada ao homem e, sem perceber o que se passava, sentiu o sono.
No dia seguinte ninguém voltou a morrer! 


Esta, de entre várias obras Saramaguianas que já li, foi a que mais me agradou, tanto pela escrita como pelo enredo em si, em que a morte, personagem muito cativante, revela-se uma natureza desconhecida ao apaixonar-se pelo homem que não conseguiu matar. 


Algumas frases de que gostei: 

· “…uma vida única, maravilhosa, sem o medo quotidiano da rangente tesoura da parca,…” (p. 25)
· “Antes a morte, senhor primeiro-ministro, antes a morte que tal sorte.” (p. 37)
· “…a religião, senhor filósofo, é um assunto da terra, não tem nada que ver com o céu,…” (p. 38)
· “…as palavras são rótulos que se pegam às cousas, não são as cousas, nunca saberás como são as cousas, nem sequer que nomes são na realidade os seus,…” (p. 78)
· “…até lá continuarei a escrever com caneta, papel e tinta, tem o charme da tradição, e a tradição pesa muito nisto de morrer.” (p.143)
· “Realmente não há nada no mundo mais nu que um esqueleto. Em vida, anda duplamente vestido, primeiro pela carne com que se tapa, depois, se as não tirou para banhar-se ou para atividades mais deleitosas, pelas roupas com que a dita carne gosta de cobrir-se.” (p. 152)

Recomendo vivamente! :)

Gonçalo Rodrigues

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Crítica Literária - O Memorial do Convento de José Saramago

«Um romance histórico inovador. Personagem principal, o Convento de Mafra. O escritor aparta-se da descrição engessada, privilegiando a caracterização de uma época. Segue o estilo: "Era uma vez um rei que fez promessas de levantar um convento em Mafra... Era uma vez a gente que construiu esse convento... Era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes... Era uma vez um padre que queria voar e morreu doido". Tudo, "era uma vez...". Logo a começar por "D. João, quinto do nome na tabela real, irá esta noite ao quarto de sua mulher, D. Maria Ana Josefa, que chegou há mais de dois anos da Áustria para dar infantes à coroa portuguesa a até hoje ainda não emprenhou (...). Depois, a sobressair, essa espantosa personagem, Blimunda, ao encontro de Baltasar. Milhares de léguas andou Blimundo, e o romance correu mundo, na escrita e na ópera (numa adaptação do compositor italiano Azio Corghi). Para a nossa memória ficam essas duas personagens inesquecíveis, um Sete Sóis e o outro Sete Luas, a passearem o seu amor pelo Portugal violento e inquisitorial dos tristes tempos do rei D. João V.»

(Diário de Notícias, 9 de Outubro de 1998)
Este livro foi a primeira obra que li deste autor. Ainda não tinha tido o entusiasmo de pegar num livro de Saramago e ler, mas como no secundário é uma leitura obrigatória lá me aventurei nesta história. O livro inicia-se no século XVIII com D.João V, casado com D. Ana Maria Josefa já há dois anos, mas sem nenhum herdeiro. Faz uma promessa divina que se fosse realizado aquele pedido iria construir um convento para frades franciscanos. O "milagre" acontece, a rainha fica grávida e começa-se a construção do convento.

Temos ainda um padre chamado Bartolomeu que sonha em voar e por essa razão tenta construir uma máquina voadora, do qual dá o nome passarola. Ainda existe Baltazar, um ex-soldado maneta da mão esquerda, e Blimunda, a sua mulher, dotada do poder de ver o interior das coisas, que dão vida a esta história. Eles conhecem-se num auto-de-fé em que uma das condenadas é a mãe de Blimunda e a partir desse momento, o casal fica ligado para a vida.

Acompanhamos ao longo do livro o esforço do padre, do maneta e da visionária, unidos para verem a passarola voar um dia, seguimos as peripécias e as complicações na construção do convento, a dificuldade do povo e ainda alguma da exuberância da corte portuguesa. 

Com uma escrita épica e totalmente fora do comum, tornando a leitura mais fluída, Saramago traz-nos com este livro uma crítica à sociedade portuguesa do séc. XVIII, fazendo com que o leitor reflicta e que tome consciência que muitos factos que são referidos no livro ainda acontecem em pleno século XXI. Admito que nos primeiros capítulos, costumou-me habituar àquela maneira incomum de escrever mas quando entrei no ritmo comecei a sentir a ironia, o sarcasmo e os vários tipos de humor.

Um livro clássico inspirado em acontecimentos verídicos mas que se centra nas pessoas que construíram o conventos, aqueles que puseram a sua vida em causa para ver aquele monumento erguer-se, acaba por ser uma forma de honrar aqueles que fizeram hoje possível ir a Mafra e poder-nos deliciar com aquele palácio! 

Eu gostei bastante da história, de toda a sua complexidade, mas sinto que havia partes que eram desnecessárias e esperava mais do final. O leitor fica com dezenas de perguntas por responder e eu só pensava - Não pode acabar assim! - mas acabou. Fiquei com aquele gosto de quero mais e mais!

É um livro que demora a ler, devido à vastidão de conteúdos mas um livro que vale a pena ler, que nos faz reflectir sobre os nossos sonhos, as nossas vontades, aquilo que lutamos pela vida e sobre as relações interpessoais e tudo o que elas trazem desde dor, amor, amizade, mágoa, uma amplidão de sentimentos! Irei ler mais deste autor, o próximo será "As intermitências da Morte".