Crítica Literária - Na Cama com um Highlander

"A escritora é conhecida pelos seus livros eróticos, um já foi publicado em Portugal (Obsessão) e o segundo já vem aí (Submissa), mas este livro apresenta uma atmosférica mais romântica, uma escrita leve com cenas engraçadas, divertidas e por vezes até sensuais. "

Crítica Literária - Pecados Escondidos

"Julianne foi uma personagem que me cativou bastante pelo facto de não ser uma rapariga mimada e cabeça de vento (muito costume na época), mas sim uma jovem bastante humilde e que chega a pensar primeiros nos outros e depois nela própria. "

Crítica Literária - O Beijo Encantado

"Para a época em que o livro se passa, os diálogos têm um q.b de texto moderno, mas que torna o livro apetitoso e rápido. "

Crítica Literária - Inocência perdida

Nora Roberts volta a surpreender-me, voltando a enganar-me. Pensei que pela primeira vez tinha descoberto quem era o vilão da história mas nas últimas páginas houve uma reviravolta que me fez ficar de queixo caído, literalmente!

Crítica literária - Rosa Selvagem

"No início do livro, a autora acaba por desenvolver o tema de diferenças de classes mas acaba por ir diminuindo essas referências, o que acabou por haver um ambiente de "mundo cor-de-rosa" em vez de um mundo realista. "

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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

[Crítica Literária] Tabu de Jess Michaels

Ao perderem-se no êxtase erótico que volta a renascer entre eles, Nathan Manning, conde de Blackhearth e Cassandra Willows, a mais famosa costureira de Londres e criadora de "brinquedos" sexuais, estão a tentar a sorte - ficando vulneráveis a um passado que ainda ameaça destruir as suas vidas e a sua paixão; à mercê de segredos sombrios e tácitos que são chocantemente, perigosamente… tabu.

A história desenrolasse em volta de Cassandra Willows e Nathan, o conde de Blackhearth. No passado, o casal não escondia o seu amor e envoltos em uma rede de paixão, resolveram se casar, mas tinham um grande obstáculo que era a diferenças sociais existentes entre suas famílias, resolvendo fugir e casarem. Mas no dia do encontro, a jovem não conseguiu aparecer no locar e Nathan, a sofrer por amor, viaja para Índia para tentar esquecer a sua amada. Passado quatro anos, ele volta com um único objetivo: vingar-se de Cassandra, fazendo chantagem com ele através do seu passado e a sua profissão atual, que é uma costureira de sucesso mas tem um lado obscuro da sua profissão que está escondido da sociedade. Por quatro anos ela foi amante de vários cavalheiros, muito discretamente e escolhidos a dedo. Este papel de amante foi executado não só pelo dinheiro mas também para se curar do passado com Nathan. 

Um ponto muito positivo nesta história é que não temos uma personagem feminina inocente, mas sim experiente e que sabe no que se está a meter, conhecendo todos os caminhos da luxúria e do prazer. Um ponto negativo do livro é de ser muito curto, acho que a história se desenvolveu muito depressa e havia espaço para desenrolar outras passagens. A capa é linda, as cores e a imagem têm aquele ar de luxúria e aquela sensação de mistério.

A narrativa é ágil e logo que o acordo entre os dois é selado, o leitor é bombardeado com um jogo de poder, sensual e erótico, e pelo desejo tentam dominar o parceiro. Tabu possui um enredo bem construído, cheiro de romance, sensualidade e a sua ponta de drama misturado com mistério. Um livro que vai satisfazer aqueles que gostam de um romance adulto histórico.


terça-feira, 30 de julho de 2013

Crítica Literária - Desejada de P.C. Cast

Lina é proprietária de uma padaria Gourmet em Tulsa mas, infelizmente, o negócio não está a correr como esperado e ela precisa de um plano. Quando tropeça, acidentalmente, num livro de culinária italiana da deusa, Lina não consegue deixar de pensar que encontrou a solução para os problemas, mesmo que isso implique invocar uma deusa para salvar o seu negócio. Em breve, Lina encontra-se cara a cara com Deméter, que tem o seu próprio plano. Ela propõe que Lina troque a alma com Perséfone, a deusa da primavera, que irá dar uma nova vida à padaria. Em troca Lina terá que repor a ordem no submundo. Depois de ocupar o corpo de encantadora Perséfone, Lina, cujos problemas eram massa azeda e segundos encontros, tem agora assuntos maiores em mãos, como levar a primavera ao mundo dos espíritos. Mas, quando o belo e perigoso Hades acende uma chama no seu coração, Linda não pode deixar de se interrogar se o senhor do submundo não será o homem dos seus sonhos...

Este foi o primeiro livro que li da série "Chamamento da Deusa" que corresponde ao segundo volume desta saga. Da P.C. Cast só conhecia o trabalho "Casa da Noite" que para quem não sabe o tema principal são vampiros. 

Desta vez a mitologia retratada na história é de Perséfone e Hades, a Deusa da Primavera e o Deus dos Mortos. Na história original conta que a Deusa foi raptada por Hades e levada parra o mundo dos mortos. A mãe de Perséfone, Deméter, fica tão abalada com a ausência da filha que ordena que haja seis meses de escuridão, que corresponde ao outono e ao inverno, como luto.

Mas a estrela principal deste livro é Lina, uma americana de 43 anos que é proprietária de uma padaria à beira da falência. Tal como acontece no livro "Deusa do Mar", há uma troca de corpos feita por Deméter, ou seja Lina vai para o corpo de Perséfone e vice-versa. 

Começamos o livro com Deméter conversando com a sua ama Irene sobre Perséfone, a quem considera fútil e bastante infantil, e por isso pretende fazer algo à sua filha. Tem a ideia de a mandar para os dias atuais, onde ninguém sabe quem ela é, mas precisa de uma substituta que vá para o Mundo dos Mortos iluminar a passagem daqueles que já morreram, levando consigo a primavera e a vida. E é aí que entra Lina. 

Lina é divorciada que dedica a vida a cuidar da Pani Del Dea. Ao tentar encontrar novas receitas para atrair mais clientes ao negócio, ela encontra um livro chamado La magia dell'Italia, acabando por invocar Deméter, que a leva para o seu reino, trocando de corpo com a sua filha. A deusa explica que enquanto Lina será a deusa da primavera, Perséfone estará na padaria a cuidar de tudo. Quando Lina e Hades se conhecem há logo uma atração, é um encontro muito cómico, já que Lina compara o Deus dos Mortos com o Batman. 

A história é linda e envolvente. A narrativa não é monótona e possibilita uma boa visualização das cenas e dos cenários, sendo estes fantásticos. A escritora pega sempre na mitologia grega e apesar de contar a verdadeira história também a recria segundo a sua própria imaginação, dando o seu toque pessoal na narrativa. O livro tem momentos eróticos, mas não são as cenas predominantes e quando acontecem são muito românticas. Comparando-o ao Deusa do Mar, gostei mais deste, especialmente do final que é lindo e nada do que estava à espera. 

Atenção que as histórias são independentes, por isso a ordem não interessa. Aos românticos incuráveis, por favor vão ler este livro que vão adorar o Hades, que apesar de ser o Deus dos Mortos é carinhoso e meigo, mais do que quer mostrar! Àqueles que ainda não experimentaram esta série, o que custa tentar?

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Crítica Literária - “As Intermitências da Morte” de José Saramago [Gonçalo Rodrigues]

E se a morte tirasse férias? É uma pergunta pertinente e o tema que é abordado em “As Intermitências da Morte”, de José Saramago.
Foi no primeiro dia do ano que a morte deixou de operar no país. O livro começa mesmo com a frase “No dia seguinte ninguém morreu”. No entanto, as iniciais reações de felicidade causada por tal facto, depressa se convertem em reações de desespero. Nunca antes na história a morte havia deixado de matar, pelo que diversos problemas começar a advir deste misterioso acontecimento.
Acidentes? Houve-os, e com feridos graves, mas mesmo aqueles que em situações normais teriam morrido no momento do acidente não morriam. Permaneciam num sofrimento eternizado. O país geral entrou em crise, sendo de salientar os problemas enfrentados pelas funerárias (que no desespero começaram a enterrar animais, pois ao que parece a morte que nos mata não é a que mata os animais), pelas seguradoras, pelos hospitais e lares…
Também as religiões foram afetadas, pois é da morte que vivem e é o que lhes permite criar fé num Deus. Como a morte havia somente deixado de operar naquele país, surgiu, não muito depois, uma organização criminosa, a Maphia, que levava as pessoas na iminência de morrer para um país vizinho para que estas falecessem como seria suposto.
No entanto, meses mais tarde, a morte (com “m” minúsculo, como gostava de assinar a sua correspondência) voltou. Dirigiu uma carta que enviou a um canal de televisão para que a notícia fosse difundida. E assim foi, no dia seguinte à difusão da notícia, a morte voltou à rotina! Contudo, não voltou à normal rotina. A partir daquele dia a morte viria a enviar uma carta escrita (em papel cor-de-rosa, note-se), com oito dias de antecedência àqueles que iriam morrer passada essa semana, anunciando, precisamente, a sua morte.
Andava a morte atarefada com esta sua nova responsabilidade, a morte anunciada, quando recebeu de volta uma carta extraviada. Alguém não estava a receber a sua morte anunciada, assunto que não foi de fácil resolução para a morte. Por mais que esta tentasse enviar a carta ela nunca era entregue ao destinatário. O assunto intrigou a morte, pelo que esta decidiu assumir uma forma humana e tentar uma aproximação.
A morte e o homem encontraram-se algumas vezes, mas em nenhuma a morte foi capaz de lhe entregar a carta. A morte acabou por apaixonar-se pelo homem. Trocaram beijos e foram para a cama. Após o homem adormecer a morte olhou a carta violeta. Não sabia o que fazer ou pensar, mas foi até à cozinha e, como um comum mortal, acendeu um fósforo que desfez a indestrutível carta. De seguida, a morte, que nunca dorme, deitou-se agarrada ao homem e, sem perceber o que se passava, sentiu o sono.
No dia seguinte ninguém voltou a morrer! 


Esta, de entre várias obras Saramaguianas que já li, foi a que mais me agradou, tanto pela escrita como pelo enredo em si, em que a morte, personagem muito cativante, revela-se uma natureza desconhecida ao apaixonar-se pelo homem que não conseguiu matar. 


Algumas frases de que gostei: 

· “…uma vida única, maravilhosa, sem o medo quotidiano da rangente tesoura da parca,…” (p. 25)
· “Antes a morte, senhor primeiro-ministro, antes a morte que tal sorte.” (p. 37)
· “…a religião, senhor filósofo, é um assunto da terra, não tem nada que ver com o céu,…” (p. 38)
· “…as palavras são rótulos que se pegam às cousas, não são as cousas, nunca saberás como são as cousas, nem sequer que nomes são na realidade os seus,…” (p. 78)
· “…até lá continuarei a escrever com caneta, papel e tinta, tem o charme da tradição, e a tradição pesa muito nisto de morrer.” (p.143)
· “Realmente não há nada no mundo mais nu que um esqueleto. Em vida, anda duplamente vestido, primeiro pela carne com que se tapa, depois, se as não tirou para banhar-se ou para atividades mais deleitosas, pelas roupas com que a dita carne gosta de cobrir-se.” (p. 152)

Recomendo vivamente! :)

Gonçalo Rodrigues

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Crítica Literária: Herança do Gelo de Nora Roberts

Quando as tempestades do Inverno varrem a Irlanda, toda a gente fica dentro de casa e os turistas deixam de aparecer. Como tal, até a acolhedora estalagem de Brianna Concannon se transforma num lugar frio e vazio. Mas isso não é um problema para ela, pois se há coisa que Brianna adora é paz e sossego, mesmo quando o vento gelado uiva nas janelas. Grayson Thane é um escritor norte-americano que cresceu num orfanato e sempre viveu sozinho. Assombrado por um passado que anseia esquecer, chega à estalagem de Brianna à procura de isolamento e inspiração para o próximo romance. Mas o destino oferece-lhe muito mais do que isso. A beleza de Brianna conquista o seu olhar, e a serenidade dela apazigua a sua alma irrequieta. Mas poderá o fogo nascer em dois corações tão gelados?

Esse é o segundo livro da trilogia da Herança, e contém spoiler do primeiro livro. Por isso, se ainda não leram o 1ª volume, parem aqui! 

Este livro começa um pouco depois do final do Herança de Fogo, porque Maggie está grávida de 7 a 8 meses, e temos como personagem principal feminina a Brianna Concannon que é completamente o oposto da sua irmã, enquanto Maggie gritava com a mãe, Brianna guarda os seus verdadeiros sentimentos para si e mantinha-se junto de Maeve, deixando muitas vezes a sua vida em segundo plano. Quando o seu pai morre, ela herda a casa de família, conseguindo transformar o seu sonho em realidade, ter a sua própria hospedaria. Ela adora a vida doméstica, desde de cozinhar, limpar, entre outros. 

Ao arrumar o sotão que continha caixas antigas, Brianna encontra algumas cartas destinadas ao seu falecido pai de uma mulher chamada Amanda e descobre que, para além de Maggie, tem mais uma irmã, que nem o pai conheceu (a história dessa irmã é o terceiro e último volume) 

Brianna tinha uma vida calma e pacata, mas tudo muda quando o escritor americano Grayson Thane fica aposentado na sua hospedaria para escrever a sua nova história. É com esta personagem que o leitor conhece um pouco mais da Irlanda. O jovem é conquistado aos poucos por Brianna, pelo seu jeito e maneira de ser, já que ele é uma pessoa sem qualquer laços familiares e sem amarras. 

Apesar de ter Maggie como minha preferida até agora, a história de Brianna é muito comovente e envolve temas como o perdão e sinceridade.  Nora Roberts tem sempre algo nos seus livros que nos faz ficar com um gosto de querer mais. Já comecei a ler o Herança da Vergonha para terminar assim a Trilogia da Herança.


quinta-feira, 9 de maio de 2013

Crítica Literária - Herança de Fogo de Nora Roberts

Nora Roberts volta a arrebatar-nos com o primeiro volume de uma das suas mais aclamadas séries: a «Triologia da Herança». No centro desta obra apaixonante encontramos as irmãs Concannon, mulheres do nosso tempo, que vivem na mágica Irlanda, terra de colinas suaves e lendas antigas.

"Herança de Fogo" é a história de Maggie Concannon.Talentosa e rebelde, Maggie é uma artista que trabalha o vidro. As suas obras de arte são mais do que apenas objectos belos, são reflexos da sua verdadeira natureza. Até que um dia, Rogan Sweeney, dono de uma das galerias mais sofisticadas de Dublin, descobre o seu trabalho.
Se por um lado Rogan é um profissional e quer fazer dela uma artista conhecida e bem sucedida, por outro o seu coração atraiçoa-o pois está completamente apaixonado por aquela mulher rebelde e explosiva. Apesar de Maggie sentir o mesmo, uma relação entre ambos nunca poderá ser fácil... ou não houvesse um passado negro a assombrar o futuro.


Maggie,uma artista apaixonada, excêntrica e incontrolável tem apenas o seu amor à arte como companheiro na sua vida solitária. Esta jovem possui um grande trauma: o casamento infeliz dos seus pais. Desde pequena viveu num lar sem amor e isso levou-a a criar uma verdadeira aversão a casamentos e relacionamentos que envolvam sentimento, que vai condicionar todas as suas relações em finais desastrosos. Depois de estudar em Veneza, Maggie volta para  a sua terra natal, Clare, na Irlanda e começa o seu trabalho em esculturas de vidros, que retratam a sua natureza selvagem. Todo o dinheiro que a jovem consegue serve para ajudar a sua mãe a sua irmã. Maggie e a mãe tem uma relação bastante hostil e a artista está saturada que a sua irmã, Brianna, atenda todos os pequenos e grandes caprichos da mãe. Só que Maggie prometeu ao seu pai quando ele morreu nos seus braços que iria ajudar e proteger as duas, e quando chega uma proposta de uma famosa galeria em Londres, Maggie fica dividida porque apesar de não querer ser exclusiva e vender no mercado, precisa do dinheiro para que Brianna consiga montar a sua própria estalagem. 

Rogan é o dono das Galerias Worldwide  que possui uma personalidade persistente e controladora. Quando ele conhece Maggie, algo no seu interior muda, a tensão e as faíscas entre eles são quase palpáveis. A jovem artista, sem qualquer tipo de pudor, aproveita essa atração para o seduzir, mas Rogan não quer apenas uma mulher na sua cama, mas sim no seu coração e vai lutar com todas as suas armas para mostrar a Maggie que o amor existe mesmo.

A personalidade da personagem principal faz com que o leitor nunca consiga adivinhar o passo seguinte da história porque ela é bastante impulsiva. Uma personagem que merece destaque é avó de Rogan, cada vez que ela aparece é uma lufada de ar fresco, com o seu sentido de humor e as suas conversas não apropriadas. O cenário é simplesmente incrível, sinto que fiquei a conhecer a Irlanda. A escrita é magnífica, de uma mestria que só Nora Roberts consegue. 

É o primeiro livro da Trilogia da Herança, um romance lindo entre duas personagens que são totalmente o oposto, mas como diz o provérbio "Os opostos atraem-se" e de que maneira! É com grande entusiasmo e dedicação que vou partir para a leitura do 2º volume desta trilogia!


quarta-feira, 1 de maio de 2013

Crítica Literária - "O êxtase de Gabriel" de Sylvain Reynard

O professor Gabriel Emerson envolveu-se numa paixão escaldante e clandestina com a sua ex-estudante, Julia Mitchell. Ao levá-la para umas férias românticas em Itália, inicia-a nos deleites sensuais do corpo e os êxtases do sexo. Mas ao regressarem, veem a sua felicidade ameaçada por uma conspiração de estudantes, pela instituição académica e por um antigo amante ciumento.
Quando Gabriel for finalmente confrontado pela administração da Universidade, irá sucumbir ao destino de Dante? Ou irá lutar para manter Julia, a sua Beatriz, para sempre?

O livro começa exatamente onde "O Inferno de Gabriel" terminou. Temos Gabriel e Julia a viverem plenamente o seu amor em Itália, sem qualquer tipo de restrições. O cenário é completamente romântico, sensual e erótico. Sylvain acaba por dar ao leitor uma visita guiada pela cidade, pelos museus, pela vida íntima do casal e ainda nos faz viajar apenas com as suas palavras.

Mas o Natal em família, porém, traz algumas surpresas bem desagradáveis para Julia e a felicidade do casal é ameaçada com uma presença de uma pessoa que vai abalar a confiança do casal. Para piorar a relação, o professor e a ex-aluna são descobertos e a universidade começa uma investigação fazendo com que o futuro académico de Julia e a profissão de Gabriel sejam ameaçados. Chegou o momento de tomar algumas decisões que vão ferir o casal. Acaba por ser uma grande atrapalhada, porque num lado estão as inseguranças de Julia e noutro o modo como Gabriel é super protetor com a sua amada Beatriz, que só vai deixar a situação ainda mais confusa. Há momentos em que o leitor só apetece pegar nas personagens e gritar: Falem tudo o que tem para falar de uma vez por todas! Mas todas as relações são assim e Sylvain retrata isso bastante bem, aquele medo de falar com a pessoa amada, ser incapaz de se expor sem qualquer tipo de vergonha , e não ter a coragem para fazer isso traz conflitos que podiam ser resolvidos apenas com uma simples conversa.

Porque ela era a sua Beatriz. Quando se experimenta um amor como esse, qualquer coisa menor seria apenas uma sombra.
Pág.385

Há uma grande evolução das personagens principais, em Julia essa transformação já tinha começado no livro anterior mas neste volume vemos a jovem a ser mais objetiva, madura e mais confiante; Gabriel acaba por descobrir um mundo completamente novo para ele, um mundo de fé, compaixão, amor e caridade. É possível observar nestes dois uma espécie de renascimento interior. 

Temos melhor conhecimento de algumas personagens, algumas já apresentadas no volume anterior tal como Paul e Christa. Nesta última são revelados bastante factos da sua vida passada, o que faz com que o leitor compreenda porque é que ela se comporta de tal maneira tão fria e sem sentimentos. Paul continua a ser Paul, o melhor amigo de Julia que está completamente apaixonado por ela mas que não tem qualquer hipótese. 

É o que acontece quando se ama alguém. Querer que seja feliz.
Pág.345

Quanto ao final foi simples lindo, magnífico, perfeito! Claro que a história podia acabar por aqui, mas o escritor foi deixando algumas pistas ao longo do livro de forma a que o leitor especule sobre o que será o próximo e último volume desta trilogia, e só espero que o meu palpite esteja certo porque se estiver vou adorar o rumo da história! Mal posso esperar para me reunir outra vez com Julia & Gabriel.


quinta-feira, 18 de abril de 2013

Crítica Literária - O Memorial do Convento de José Saramago

«Um romance histórico inovador. Personagem principal, o Convento de Mafra. O escritor aparta-se da descrição engessada, privilegiando a caracterização de uma época. Segue o estilo: "Era uma vez um rei que fez promessas de levantar um convento em Mafra... Era uma vez a gente que construiu esse convento... Era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes... Era uma vez um padre que queria voar e morreu doido". Tudo, "era uma vez...". Logo a começar por "D. João, quinto do nome na tabela real, irá esta noite ao quarto de sua mulher, D. Maria Ana Josefa, que chegou há mais de dois anos da Áustria para dar infantes à coroa portuguesa a até hoje ainda não emprenhou (...). Depois, a sobressair, essa espantosa personagem, Blimunda, ao encontro de Baltasar. Milhares de léguas andou Blimundo, e o romance correu mundo, na escrita e na ópera (numa adaptação do compositor italiano Azio Corghi). Para a nossa memória ficam essas duas personagens inesquecíveis, um Sete Sóis e o outro Sete Luas, a passearem o seu amor pelo Portugal violento e inquisitorial dos tristes tempos do rei D. João V.»

(Diário de Notícias, 9 de Outubro de 1998)
Este livro foi a primeira obra que li deste autor. Ainda não tinha tido o entusiasmo de pegar num livro de Saramago e ler, mas como no secundário é uma leitura obrigatória lá me aventurei nesta história. O livro inicia-se no século XVIII com D.João V, casado com D. Ana Maria Josefa já há dois anos, mas sem nenhum herdeiro. Faz uma promessa divina que se fosse realizado aquele pedido iria construir um convento para frades franciscanos. O "milagre" acontece, a rainha fica grávida e começa-se a construção do convento.

Temos ainda um padre chamado Bartolomeu que sonha em voar e por essa razão tenta construir uma máquina voadora, do qual dá o nome passarola. Ainda existe Baltazar, um ex-soldado maneta da mão esquerda, e Blimunda, a sua mulher, dotada do poder de ver o interior das coisas, que dão vida a esta história. Eles conhecem-se num auto-de-fé em que uma das condenadas é a mãe de Blimunda e a partir desse momento, o casal fica ligado para a vida.

Acompanhamos ao longo do livro o esforço do padre, do maneta e da visionária, unidos para verem a passarola voar um dia, seguimos as peripécias e as complicações na construção do convento, a dificuldade do povo e ainda alguma da exuberância da corte portuguesa. 

Com uma escrita épica e totalmente fora do comum, tornando a leitura mais fluída, Saramago traz-nos com este livro uma crítica à sociedade portuguesa do séc. XVIII, fazendo com que o leitor reflicta e que tome consciência que muitos factos que são referidos no livro ainda acontecem em pleno século XXI. Admito que nos primeiros capítulos, costumou-me habituar àquela maneira incomum de escrever mas quando entrei no ritmo comecei a sentir a ironia, o sarcasmo e os vários tipos de humor.

Um livro clássico inspirado em acontecimentos verídicos mas que se centra nas pessoas que construíram o conventos, aqueles que puseram a sua vida em causa para ver aquele monumento erguer-se, acaba por ser uma forma de honrar aqueles que fizeram hoje possível ir a Mafra e poder-nos deliciar com aquele palácio! 

Eu gostei bastante da história, de toda a sua complexidade, mas sinto que havia partes que eram desnecessárias e esperava mais do final. O leitor fica com dezenas de perguntas por responder e eu só pensava - Não pode acabar assim! - mas acabou. Fiquei com aquele gosto de quero mais e mais!

É um livro que demora a ler, devido à vastidão de conteúdos mas um livro que vale a pena ler, que nos faz reflectir sobre os nossos sonhos, as nossas vontades, aquilo que lutamos pela vida e sobre as relações interpessoais e tudo o que elas trazem desde dor, amor, amizade, mágoa, uma amplidão de sentimentos! Irei ler mais deste autor, o próximo será "As intermitências da Morte".


segunda-feira, 25 de março de 2013

Crítica Literária - Milagre de Amor de Eloisa James

Miss Linnet Berry Thrynne é Bela … Naturalmente, está noiva de um Monstro. Piers Yelverton, conde de Marchant, vive num castelo no País de Gales, onde, corre o boato, o seu mau humor arrasa todas as pessoas com quem se cruza. E também consta que uma lesão deixou o conde imune aos encantos de qualquer mulher. Só que Linnet não é qualquer mulher. Ela é mais do que simplesmente formosa: o seu espírito e encanto forçaram um príncipe a ajoelhar-se. E calcula que um conde se apaixonará loucamente por ela… em apenas duas semanas. No entanto, Linnet não tem ideia do perigo a que o seu coração é exposto por um homem que poderá nunca devolver-lhe o seu amor. Se ela decidir ser realmente muito perversa … que preço pagará por domar o coração selvagem desse homem?

É certo que um dos meus contos preferidos é "A Bela e o Monstro" e talvez por isso tenha um certo carinho por esta história de Eloisa James. Nunca tinha lido nada desta autora e depois desta estreia talvez me aventure em mais algum livro dela.

Piers, o conde de Marchant, não foi transformado pela magia tal como acontece com o Mostro que conhecemos da nossa infância, nem tem o aspecto de um animal, mas sim por um acontecimento ocorrido na sua infância que o transformou num homem frio, rude, duro, sarcástico e sem qualquer tipo de compaixão. Ele é um médico altamente competente que vive com uma perna lesionada, constantemente com dores, resultando no seu mau humor diário. Com esta personalidade e com uma certa arrogância, porque afirma que é mais inteligente que todos, acaba por ser apelido de Monstro. A própria autora assumiu que se inspirou em Dr. House, da série Fox, para elaborar esta personagem e é notável as aparências, especialmente na ironia presente nos diálogos. Esta semelhança fez com que a personagem masculina me cativa-se porque sempre fui fã do Dr. House e do seu temperamento. 

Bem, a nossa Bela, Lynnet vê-se envolvida num escândalo. Tal como diz o provérbio - tem a fama e não teve o proveito. Aconselhada pelo pai e pela tia, ambos só vêem uma solução, ela tem que se casar com o Monstro. Tudo é organizado, mas quando Lynnet conhece Piers reconhece que o casamento nunca iria dar certo. Piers, apesar de uma pessoa dura, admite a si próprio que Lynnet é  a mulher mais linda que ele já conheceu e que a acha muito atraente. A história vai se desenvolver com os dois a conhecerem-se melhor na propriedade do conde, no País de Gales. 

Com diálogos divertidos, cenas sensuais que envolvem uma piscina extremamente romântica e erótica, Milagre de Amor mostra-nos o conto "A Bela e o Monstro" de forma mais adulta mas igualmente apaixonante. Tal como Bela amolece o coração duro do seu monstro, esta história vai conseguir também amaciar o coração do leitor.


segunda-feira, 18 de março de 2013

Crítica Literária - The Vincent Boys de Abbi Glines

Ser a boa menina não é tão bom como deveria ser. Ashton Gray esta cansada de fingir para agradar os seus pais, e para ser digna do príncipe da cidade, Sawyer Vincent. Talvez por isso ela tenha se aproximado do primo de Sawyer, Beau, enquanto ele está fora no acampamento de verão com a família. Beau não tem nada a ver com o namorado perfeito. 
Ele é o homem mais sexy que ela já viu, perigoso de forma que apenas havia sonhado, e é o tipo de rapaz do qual deve permanecer afastada. Beau nunca invejou Sawyer e od seus amorosos pais, a sua casa grande e bonita ou a sua posição na sociedade. Ele o ama como a um irmão. Razão pela qual tem tentado se manter longe da namorada de Sawyer. Mesmo que ele a tenha amado desde a idade de cinco anos, Ashton é a garota de Sawyer, portanto, está fora dos limites. No entanto, quando Sawyer viaja no verão, Ashton, a rapariga pela qual Beau moveria céus e terras, decide que quer entrar em apuros. Apunhalar pelas costas a única pessoa que sempre o aceitou e o apoiou, é o preço para ter Ashton Gray em seus braços. Será que vale a pena perder seu primo por ela?...  Caramba, sim.

Sawyer Vincent e Beau Vincent são primos e ambos são amigos de infância de Ashton, a filha do pastor. Desde de crianças que Ashton e Beau são os melhores amigos e "parceiros no crime", ou seja, são uns traquinas, realizando partidas ao longo da sua infância. Os três amigos acabam por crescer e Sawyer interessa-se por Ashton começando assim um namoro em que a jovem esconde o que realmente é, deixando para trás a menina traquina e travessa para se tornar numa rapariga séria e desprovida de diversão, e ela acaba por se afastar de Beau.

Beau esconde os seus verdadeiros sentimentos por Ashton por lealdade a seu primo, mas cada vez se torna mais difícil ver a rapariga que ele ama aos beijos com o próprio primo e irrita-o saber que a sua amada está a tornar-se em algo que não é o seu verdadeiro eu. Mas tudo muda quando Sawyer vai de férias com a sua família, permitindo assim a possibilidade de Beau se aproximar de Ashton. A jovem percebe que durante anos camuflou sentimentos pelo primo do seu namorado e entra em pânico porque não se quer meter no meio da relação deles, porque para Beau e Sawyer eles são mais que primos, são irmãos. 

Mas atracção acaba por vencer e os jovens envolvem-se durante o tempo em que Sawyer está fora. Eles aproveitam cada segundo juntos pois sabem que no momento em que o namorado de Ashton voltar tudo acabará. Mas Beau não vai desistir tão facilmente da rapariga que ama, nem mesmo que seja em benefício do seu primo.

Contanto a história em duas perspectivas, o leitor tem acesso ao mais íntimo das duas personagens principais, de todos os seus conflitos interiores. Em Ashton é realçado a pressão que a sociedade faz, pois ela muda não por querer mas por causa do namorado e do pai, já que eles esperam alguém que se comporte correctamente apesar de ela ser uma alma selvagem. Já Beau é visto como um mau exemplo, pois ao contrário da jovem ele não esconde a sua verdadeira essência.

 Com surpresas, ciúmes, paixão, este livro mostra que uma simples amizade pode florescer para algo mais e que quando se ama de verdade somos capazes de tudo, mesmo magoar as pessoas que nos são importante. 



terça-feira, 12 de março de 2013

Crítica Literária - Marco's Redemption de Lynda Chance

Marco Donati é rico, cruel e está interessado apenas em satisfazer as suas necessidades sexuais casualmente e frequentemente. Ele não tem nenhuma intenção de mudar coisa alguma na sua vida. 
Natalie Lambert está sozinha, sem dinheiro e nova na cidade quando um encontro casual a deixa sob o poder e controle de Marco Donati. No desenrolar da história, tensões se instalam e a confiança é testada entre duas pessoas que não conseguem ficar longe uma da outra.
Este livro centra-se na história de Marco Donati e Natalie Lambert. Estes dois conhecem quando se envolvem num pequeno acidente de carro em que Natalie bate na traseira do Audi de Marco, chefe de um prestigiado banco. Totalmente falida e sem emprego, Natalie entra em pânico e o CEO faz um acordo com a jovem de 24 anos, ela trabalhará para ele no seu apartamento como empregada doméstica durante um ano de forma a pagar pelos estragos do seu carro. 

Durante as primeiras semanas tudo corre como planeado, Natalie tenta habituar-se à sua nova rotina enquanto Marco se acostuma a ter uma estranha no seu apartamento, ainda mais uma rapariga por quem se sente atraído. A jovem também se sente exaltada junto dele, o que provoca uma certa tensão na relação dos dois. Para somar a esse "mal-estar", Marco torna-se bastante controlador e protetor fazendo com que Natalie fique irritada e impaciente. 

Marco tenta controlar ao máximo o seu desejo por Natalie mas tanto ele como ela acabam por não aguentar e explodem, dando asas à sua paixão. A história é relatada na perspectiva das duas personagens dando uma certa dinâmica ao texto e acaba por tornar o leitor mais próximo das personagens principais porque percebe   a razão porque eles são motivados a fazer tal ação, desde os seus pensamentos e emoções.Diverti-me imenso com os ciúmes de Marco e encantei-me com a garra de Natalie que à primeira impressão parece uma gatinha, mas essa gata tem as garras afiadas!

Um relato que nos mostra que o amor pode aparecer em qualquer lugar, até num pequeno acidente de carro  e ensina que qualquer pessoa pode ser atingida pela seta do Cupido, mesmo aquela que seja totalmente insensível, fria e desprovida de sentimentos.


quarta-feira, 6 de março de 2013

Critica Literária por Rodrigo - Passeio à Beira-Mar de Joan Anderson

Depois do bestseller Um Ano à Beira-Mar, uma obra autobiográfica sobre o percurso de uma mulher até à auto-descoberta e auto-realização, chega Passeio à Beira-Mar, um livro que ensina a viver intensamente cada segundo da nossa vida. A história de vida de Joan Anderson é um testemunho terno e sincero da sua condição de mulher, e, simultaneamente, um relato inspirador que tem ajudado milhões de pessoas a reencontrar a alegria de viver.
Passeio à Beira-Mar, de Joan Anderson centra-se em 'Joan', uma personagem fictícia mas intensamente ligada à autora, uma mulher de aproximadamente cinquenta anos que está a passar por uma fase bastante complicada da sua vida. Com a saída do filhos para a faculdade, e do seu marido por questões de trabalho, Joan vê-se sozinha numa casa junto à praia, sem nada saber acerca do seu novo rumo de vida. Num passeio à beira-mar, a mulher encontra uma senhora de idade, que após algumas conversas, veio a descobrir que essa pessoa também tinha o mesmo nome que o seu. 

Ao longo do livro, vamos conhecendo às várias fases da vida de Joan, sendo que sempre acompanhada pela sua nova, velha amiga, que, podemos dizer é uma chama da vida. A velha Joan, é uma senhora com tanta vida e com tanto poder de ajuda, que nos faz mudar a nossa opinião em certos assuntos relativamente aos idosos. Ela ensina a personagem principal a gostar de viver, a gostar de ser quem é e a mudar o seu rumo de vida. 

Pessoalmente, eu gostei imenso deste livro, pelo facto de que ele nos traz variadíssimas lições de vida, como por exemplo num relacionamento. Ninguém deve estar preso a outra pessoa, apesar da intensa ligação que os une, cada um tem o seu espaço, cada um tem a sua vida, o seu rumo. A idade é algo que não importa, no que diz respeito à nossa maneira de viver. Temos de ter um tempo para nós, no meio das nossas rotinas, temos de ter alguma diversão. Devemos passear, devemos escutar o mar e o vento. Enfim, devemos ser nós mesmos e pensar pela nossa cabeça. 

Nunca tinha lido nenhuma obra desta escritora, mas fique bastante surpreendido ao ver a sua tamanha capacidade de cativar as pessoas. Para além disso, gostei muito da capa, porque é uma capa fiel ao livro e ao seu enredo. Se nunca tiverem lido nada desta maravilhosa autora, aqui fica uma óptima obra para começar. 

Rodrigo Cotas


sexta-feira, 1 de março de 2013

Crítica Literária - The One for Me de Layla James

O livro relata-nos a história de Katy, uma rapariga de 17 anos que vê o seu mundo dar uma volta de 180º graus em apenas uma semana. E porquê? Bem, num espaço de uma semana o seu namorado de à quase um ano, Hayden, termina com ela por causa de outra rapariga, Holly e os seus pais anunciam o seu divórcio. A jovem pensa que a sua vida não poderia pior, mas quando na aula de ciências é obrigada a trabalhar com Liam, o bad boy da sua escola, Katy vê a sua dignidade irem por cano abaixo, quando numa festa vê Holly e Hayden a beijarem-se, num impulso ela beija Liam. Com apenas um beijo, espalha-se um rumor que destrói a reputação de Katy. Determinada a salvar a sua imagem, ela propõe a Liam um trato: fingem namorar, para parar os rumores enquanto ele ganha uma boa reputação junto dos professores. 

E assim começa um percurso cheio de intrigas, ciúmes, paixões de adolescências e drama. Neste livro observa-mos que as aparências iludem, tal como acontece com Liam, que é visto como o estereótipo de bad boy mas afinal há algo de romântico e carinhoso nele. A personalidade de Katy é um bocado "rainha do drama" e talvez um pouco imatura no início  mas há uma evolução que se nota nas suas ações nos últimos capítulos. A premissa da história não é nada de novo mas permite ao leitor umas boas gargalhadas, especialmente nos diálogos entre Katy e Liam, uma paixão-ódio. É apresentado ainda o facto do que um divórcio pode fazer a uma família, tanto aos pais como aos filhos, todo o sofrimento e dor que acontece durante todo o processo. 

O livro é escrito na primeira pessoa, sempre na perspectiva de Katy, o que permite uma proximidade a esta personagem. Uma história envolvente, que nos agarra na esperança de um final feliz.


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Crítica Literária - Easy de Tammara Webber

Após seguir o seu namorado para a faculdade que ele tinha escolhido, a última coisa que Jacqueline esperava era o fim do relacionamento. Após duas semanas em choque, ela acorda com uma nova realidade: ela está solteira, numa faculdade ao invés de um conservatório de música, ignorada pelo antigo grupo de amigos, sendo perseguida por um amigo do ex-namorado e tend dificuldade numa matéria pela primeira vez na vida. Após quase ser vitima de estupro, ela olha com outros olhos o colega de classe, Lucas, que a salvou e sempre foi tímido e nunca falou com ela. Ao mesmo tempo ela deve conseguir melhorar suas notas com o novo relacionamento com o tutor de sua classe de economia que logo vira algo mais do que uma relação académica.
Este livro relata a história de Jacqueline, uma rapariga que desistiu do seu sonho de ir para um conservatória de música para estar com o seu namorado, com quem está à mais de três anos. Depois de chegarem à universidade, a jovem nota que o seu companheiro está a afastar-se cada vez mais e este acaba por terminar a relação. Depois de duas semanas em choque e mergulhada em lágrimas, Jacqueline "acorda" para a vida, chegando à conclusão está num sítio onde se sente deslocada e que, pela primeira vez na vida, está a ter dificuldade numa disciplina. 

Quando a sua colega de quarto a convence a sair para uma festa de Haloween, Jacqueline quase que é violada por um colega de fraternidade do seu ex-namorado, só que é salva por Lucas, um colega da classe de Economia que passa a aula a rabiscar no seu caderno. Lucas é o tipo bad boy, solitário, com um piercing no lábio e com um passado muito traumatizante. A partir deste momento, os dois jovens começam aproximar-se cada vez mais, até o dia em que Lucas pede a Jacqueline para desenhá-la e eles não conseguem mais segurar a atração que os atormenta. 

Além desta relação com Lucas, a perseguição do rapaz que a tentou violar, a jovem universitária ainda mantém uma relação platónica com Landon, o seu orientador da aula de Economia devido à sua dificuldade na disciplina, mas existe um pequeno problema, Jacqueline nunca viu Landon e eles mantém contacto apenas por e-mail. Mas é entretanto que ela descobre uma relação entre Landon e Lucas... E vai tudo mudar a partir daí!

Uma história que aborda vários assuntos que é necessário dar destaque tais como a violação, o uso de drogas, homicídio, a relação entre pais-filhos,  o excesso de álcool, a verdadeira amizade e o amor. Um livro juvenil mas que pode interessar a um público mais adulto. Escrito na primeira pessoa e sempre na perspectiva de Jacqueline, temos acesso directo a uma rapariga que é apaixonada por música, que sofre por amor e que apresenta uma relação bastante distanciada dos pais. 

Um livro que nos faz acreditar que o amor e que os verdadeiros sentimentos curam qualquer ferida, sendo capazes de libertarem qualquer pessoa.



quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Crítica Literária - A Bruxa de Oz de Gregory Maguire

Quando Dorothy triunfou sobre a Bruxa Má do Oeste no clássico O Feiticeiro de Oz, de L. Frank Baum, apenas conhecemos a sua versão da história. Mas, afinal, quem era esta misteriosa Bruxa? De onde veio? Como se tornou tão malvada? E qual é, então, a natureza do mal? A Bruxa de Oz conta a história de Elphaba, uma menina de pele verde, insegura, rejeitada tanto pela mãe como pelo pai, um pastor reaccionário. Na escola ela também é desprezada pela sua colega de quarto Glinda, a Fada Boa do Norte, que só quer saber de coisas fúteis: dinheiro, roupas, jóias. Neste contexto, ela descobre que vive num regime opressor, corrupto e responsável pela ruína económica do povo. Elphaba decide, então, lutar contra este poder totalitário, tornando-se na Bruxa Má do Oeste, uma criatura inteligente, susceptível e incompreendida que desafia todas as noções preconcebidas sobre a natureza do bem e do mal.
A Bruxa de Oz conta a história de Elphapa, a Bruxa Má do Oeste, para quem não sabe é a bruxa que aparece na história do Feiticeiro de Oz. Para quem não conhece este conto infantil, ele relata a aventura de Dorothy, do Kansas, na fantástica Terra de Oz. A pequena Dorothy viva com os tios Henry e Emm numa pequena fazenda no Kansas. O seu único amigo era o cãozinho Totó que, durante uma tempestade, desaparece. Procurando-o desesperadamente, a menina entra no abrigo contra ciclones e esconde-se na pequena casa que, levada por um tornado pelos ares, termina por arremessá-la numa distante e desconhecida terra, a Terra de Oz. No meio da tempestade, Dorothy encontra o seu cãozinho. Quando finalmente pousam, descobre que a casa caíra sobre uma perigosa bruxa, matando-a. Surgem os Munchkins - que eram dominados por aquela malvada senhora. Dorothy é aclamada como heroína, por ter matado a Bruxa do Leste. A menina deseja voltar para casa e parte em busca do grande Feiticeiro de Oz. Este diz que para voltar a Kansas, a jovem tem que matar a Bruxa Má do Oeste.

A história deste livro começa muitos antes destes acontecimentos, ainda Elphapa estava na barriga da sua mãe! O livro percorre todas as etapas da vida da Bruxa, desde o seu nascimento, infância, a universidade, uma relação com um jovem, as dificuldades da sua vida, até à sua morte. Elphapa sempre foi colocada de lado, tanto pela família como os jovens da sua idade, por ser verde e ter nascido numas circunstancia um pouco misteriosas. O meio familiar desta Bruxa não é um caso de uma família feliz, o seu pai é um fanático pela religião, a sua mãe é adultera, não aceita a filha como ela é, acreditando que ela é um fruto dos seus pecados, tem uma irmã que nasce sem braços e um irmão que não se importante com a sua família. Esta obra ainda dá a informação que a educação, a sociedade e o meio que estamos inseridos molda a personalidade de um individuo, podemos nascer já com certas características que nos são transmitidas geneticamente, mas tempos que nos adaptar para sobreviver.

Acho que o tema principal deste livro é de onde nasce o mal e porquê, porque é que aquelas pessoas são consideradas más ou fazem ações que não deviam? A própria Elphapa lutava por algo que era gentil e acreditava que todos os seres deviam tratados como iguais mas ela aos olhos da população e de todo o Oz ela era a pessoa que estava errada. São aqueles casos que as pessoas não são más porque querem, mas porque a vida as obriga a ser. 

A segunda parte do livro é mais adulta, vemos uma Elphapa que luta por aquilo que acredita e não olha a meios para atingir os seus fins, tentando compensar os erros do seu passado. A escrita é maravilhosa que nos leva a uma Terra mágica, a própria história é de outro mundo porque leva o leitor a criar laços com Elphapa e torcer por um final feliz para a Bruxa, odiamos a Dorothy e finalmente percebemos a obsessão pelos sapatos vermelhos. 

Há continuação da história, no livro O Herdeiro de Oz, que irei sem dúvida ler e continuar a viajar pelas Terras de Oz e à espera que aquele Feiticeiro seja vencido!

domingo, 13 de janeiro de 2013

Crítica literária - Os Maias de Eça de Queiroz

Trata-se da obra-prima de Eça de Queirós, publicada em 1888, e uma das mais importantes de toda a literatura narrativa portuguesa. Vale principalmente pela linguagem em que está escrita e pela fina ironia com que o autor define os caracteres e apresenta as situações. É um romance realista (e naturalista), onde não faltam o fatalismo, a análise social, as peripécias e a catástrofe próprias do enredo passional. A obra-prima de Eça de Queirós e considerada por muitos o maior romance português de sempre centra-se na história da família Maia e dos amores incestuosos entre Carlos da Maia e a sua irmã Maria Eduarda. Além de uma trágica história de amor, esta é ainda uma feroz e mordaz crítica à sociedade decadente, a nível político e cultural, do final do século XIX, e ao diletantismo da alta burguesia lisboeta oitocentista, com o humor satírico e refinado tão característico do autor.
Aí Maias... Maias... A dor de cabeça que vocês me deram! Oh Queiroz, bem que podias ter nascido no século XXI e teres escrito um livro com um pouco mais de diálogo, ação e menos, muito menos de descrição não é? E para alegrar mais a malta nova e até os graúdos criavas as cenas mais sensuais e apaixonadas entre o Carlos e a Maria Eduarda um pouco mais ao estilo de Eloisa James, Cheryl Holt, ou até mesmo como E.L. James! Nunca se sabe se o Carlos não era "virado" para esse tipo de tendências. Olha que eras capaz de meter "Os Maias" no top dos livros durante um bom tempo! Mas pronto... O escritor foste tu e apesar disto tudo ainda temos que te dar no ensino secundário!

Vá, agora falando em coisas sérias... Vamos falar dos Maias. E o que são os Maias? Para além de serem aquele povo que disse que o mundo iria acabar em 21 de Dezembro de 2012 (ao que parece enganaram-se e ainda bem!), os Maias foram a família que o Eça de Queiroz inventou para dar uma espécie de crítica social tal como faz em todos os seus livros.

O título principal do livro é "Os Maias" mas acontece que tem um subtítulo "Episódios da Vida Romântica" que irá corresponder à cronica de costumes, episódios estes que ao longo da obra tem como finalidade fazer o relato e fazer críticas da sociedade portuguesa no século XIX. O escritor utilizava personagens tipo que irão representar grupos, classes sociais ou certas mentalidades com o objetivo de dar conhecimento ao leitor os costumes, vícios, a corrupção e o parasitismo da sociedade portuguesa.

Ao longo do livro são nos apresentada duas intrigas: a secundário e a principal, havendo uma analepse. Eça de Queiroz vai utilizar a história de uma família, os Maias, para narrar todas as calamidades de uma só sociedade. O leitor acaba por conhecer este família ao longo das gerações de Caetano, Afonso, Pedro e Carlos da Maia. A intriga principal é constituída pelo romance entre Carlos e Maria Eduarda, enquanto a intriga secundária relata os amores de Pedro e Maria Monforte, pais de Carlos, que é necessária para surgir a intriga central. A crónica de costumes vai relacionar os ambientes sociais, os figurantes e todos os seus atos e comportamentos, bem como a relação destes com o protagonista Carlos. A intriga principal é que permite o aparecimento da crónica de costumes, pela que ambas vão-se desenvolver em paralelo.

Logo no início da obra temos aspectos e indícios que não será uma história feliz e que uma desgraça está prestes a cair no seio daquele família para os separar para todo o sempre. É uma história que contém traições, incesto, romance, corrupção e  que pretende denunciar múltiplos aspectos da sociedade.

Sou sincera, se não fosse "obrigada" a ler este livro para a disciplina de Português nunca o tinha escolhida para a minha leitura pessoal. Porquê? Não faz o meu género e acho a escrita de Eça de Queiroz  muito monótona e aborrecida. Os primeiros capítulos para mim foram os piores, com tanta descrição e pormenores  que só me apetecia ir bater com a cabeça contra as paredes. Confesso que houve vários parágrafos que eu saltei onde havia tanta descrição, senão não tinha aguentado. A história em si é bonita e interessante e é capaz de agarrar o leitor, mas aquela forma de escrever é muito saturante! Isto na minha opinião, claro que há muita gente por aí que adoro Eça de Queiroz e temos que admitir que ele em si é mesmo um génio porque já não se vê por aí livros com esta profundidade de reflexão e críticas à sociedade. Acredito que toda a gente que frequentou o ensino secundário saiba o que são Os Maias, mas quem desconhece esta família e gosta deste género de livros porque não lhe darem uma oportunidade? Fica a sugestão!



quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Resenha: Ilusão Perfeita de Jodi Picoult

"Uma mulher acorda num cemitério ferida e a sangrar, completamente amnésica. Não sabe quem é nem o que faz ali. É socorrida por um polícia que acabara de chegar a Los Angeles. Alguns dias mais tarde, é apanhada de surpresa ao ser finalmente identificada pelo marido, nada mais, nada menos do que Alex Rivers, o famoso actor de Hollywood. Cassie fica deslumbrada pelo conto de fadas que está a viver. Mas nem tudo parece correcto e algo obscuro e perturbador se esconde por detrás daquela fachada de glamour. E é só quando a sua memória começa gradualmente a regressar que a sua vida de cenário perfeito se desmorona e Cassie enfrenta a necessidade de fazer escolhas que nunca sonhou ter de fazer."

O livro "Ilusão Perfeita" conta a história de uma mulher, Cassie, que sofre aparentemente um "acidente" e acorda no cemitério, a sangrar da cabeça, e é socorrida por um agente policial que acaba de ser transferido para L.A., chamado Will. Cassie não se recorda do seu passado, mas fica deslumbrada ao verificar que ela é a esposa do conceituado ator de Hollywood, Alex Rivers. 


Por vezes, quem nos devia apoiar é quem nos destrói


O casal poderia dizer que vivia a relação perfeita mas quando Cassie encontra um teste de gravidez escondido no seu armário, a sua memória volta. Cassie foge de casa e vai ter com Will e conta-lhe que é uma antropóloga que trabalha na UCLA e que conheceu Alex, por coincidência, nas filmagens de um filme que eram nos arredores da sua investigação. Há entre os dois uma enorme atração e após três semanas cheia de amor, paixão e sedução; Alex acaba por pedir Cassie em casamento. Ao longo do livro é-nos contado a história deste casamento que já durava 3 anos, mas aquilo que devia ser o homem dos seus sonhos também era o seu maior pesadelo. Alex é um homem com um passado aterrador é uma pessoa emocionalmente desestruturada e um excelente ator. Alex não consegue separar a sua vida profissional da sua vida pessoal e sempre que desempenha um qualquer papel ele vive essa personagem 24 horas por dia. Se a personagem representada é um homem romântico ele será igualmente romântico no seu casamento, mas se é um agressor ele também terá esse papel no seu casamento. Cassie ama tanto Alex que não consegue resistir aos pedidos de desculpas, que se seguem sempre após as agressões de Alex sobre Cassie, tanto físicas como psicológicas. 

A vida de Cassie é abordada de uma forma simples mas perturbado visto que é vítima de maus tratos e é designado no livro por: Síndrome da Mulher Abusada. Cassie frustrava-me no sentido que sofria agressões físicas do homem que amava, perdoava e voltava a cair no mesmo mundo de violência, tal e qual um ciclo vicioso; e eu, mesmo como mulher, não conseguia aceitar tal facto, sentia-me revoltada e talvez foi por isso que esta personagem me cativou tanto porque estava sempre a torcer que ela despertasse e que se libertasse daquele mundo cheio de violência. Apesar de a história da personagem principal ser muitas vezes impressionante e revoltoso, a escritora é eficiente na capacidade que tem de transmitir na perfeição todos os sentimentos e emoções da evolução de Cassie. Muitas vezes o leitor não consegue perceber a razão de certas atitudes da antropóloga mas também é verdade que o leitor não “sente na pele” aquilo que a personagem vive e realmente os seus sentimentos por Alex são muito fortes. É realmente perturbador quando tentamos conciliar todas as emoções que são despertadas durante a leitura, o amor, o ódio, a esperança, a ternura, o deslumbramento, a culpa, o medo, o sofrimento. Contudo, ao mesmo tempo é compensador acompanharmos a passo a libertação emocional desta personagem, bem como, o poder da amizade, a resolução dos seus conflitos interiores e a sua coragem de assumir as rédeas da vida. 

Este livro mostra-nos dois mundos e duas culturas completamente diferentes – o mundo das celebridades em Hollywood e o da reserva de índios Sioux. A escritora abre-nos as portas para um problema que ainda hoje mata demasiadas mulheres por anos e que muitas das vezes é abafado pro quem sofre deste tipo de abusos e também é ignorado por quem vive lado a lado. O livro todo é um remoinho de sentimentos desde amor, a esperança, carinho e paixão que se misturam com a culpa, dor, ódio e medo e a perca de liberdade. A Jodie Picoult acaba por tentar destruir a ideia que a violência doméstica está diretamente relacionada com a posição social e ela mostra-o com a história de Cassie e Alex e outros exemplos que são demostrados no livro na sessão de grupo que a antropóloga participa.

Sobre o final do livro, acho que faltou algo. Devia ter desenvolvido mais porque não sabemos bem o que acontece a Cassie e a Will e fiquei com aquela sensação "Oh acaba assim? Então?". Apesar disto aconselho a leitura deste livro àqueles que sofrem silenciosos e com medo, e não tem audácia e a bravura de gritar bem alto e com todas as suas forças: “Chega!”. Este livro acaba por ser um hino de esperança, coragem e de fé para todos eles. Os livros de Jodi Picoult têm sempre como cenário e base problemas da sociedade atual e são sempre uma alusão para quem gosta de ler histórias com um combinado de romance e veracidade.