“Algum tempo depois estava
numa plataforma elevada, de frente para um semi-círculo quase perfeito de
espelhos. Com sapatos de salto alto cor-de-rosa a condizer, o vestido de dama
de honor tinha o comprimento ideal. Tinha também pequenas mangas tufadas e era
descaído nos ombros, revelando quase todas as minhas cicatrizes.
Um vampiro partira-me a
clavícula e o braço esquerdo, ao morder-me. Tinha também a marca de uma
queimadura em forma de cruz, no antebraço esquerdo. Parecia a noiva de
Frankenstein num baile de finalistas. Catherine, a noiva propriamente dita, não
concordava. Achava que eu merecia estar no casamento por sermos boas amigas e
eu estava a gastar uma boa maquia para sofrer uma humilhação pública. De facto,
devíamos ser boas amigas... “
Vagueando solitária pelas ruas
de St. Louis, uma criatura percorre os casebres mais escondidos, gerando o
caos, morte e destruição, por onde passa. Sem ninguém apto a descobrir o motivo
de tão horrendos cenários, resta a Anita Blake. Juntamente com a desagradável notícia
de que o novo Mestre da Cidade (Jean-Claude) exige uma reunião com ela e dos
confrontos gerados em torno de um humano que a quer forçar a animar algo que
deveria de continuar enterrado para todo o sempre, está bastante claro que,
para Anita Blake, apresenta-se mais uma semana difícil, com poucas horas de
sono e muitas, muitas nódoas negras...
Anita Blake, de uma forma
maravilhosa, continua a ser a alma do livro. Ela é tudo o que uma heroína
poderia alguma vez sonhar ou aspirar a ser, e um pouco mais, com uma humanidade
espantosa e uma fragilidade muito apropriada presentes na mesma equação. Sem
dúvida uma mistura explosiva de violência, adoração por peluches fofos, ironia
e feminilidade. A meu ver, uma protagonista cinco estrelas e simplesmente fenomenal.
Também igualmente cativante
mas com uma menor participação neste segundo livro está Jean-Claude que
persiste em manter uma atitude misteriosa – embora imensamente poderosa – e até
persuasiva e sedutor. Gostava que a personagem estivesse mais presente neste
romance, e mesmo a história que há entre Anita e Jean-Claude tivesse evoluído
para um passo seguinte, mas isso não aconteceu. Anita continua a rejeitar a
atração que sente pelo vampiro. Espero
que seja no próximo livro que a animadora se decida, finalmente, a aceitar o
convite para dançar do galante vampiro.


















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